quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Somos quase todos Rubro-Negros - Homenagem ao dia do flamenguista

Somos rubro-negros, somos comuns, não somos diferentes, por isso, tão especiais.
Somos guerreiros ordinários do dia-a-dia, povo do rio e do mar, no sertão e nos pampas, marcados pelo tempo abençoados pela vida.
Somos humanos que assim como os seres vivos evoluíram da água para os campos de terra, erectus e orgulhosos de sua força.
Somos metafísicos transitando pairando sobre as demais crenças do futebol.
Somos o paradigma que transcende a identidade carioca.
Somos herdeiros do pavilhão do urubu e do sangue das raças que permeia nossa história.
Somos brasileiros em vermelho e preto.
Somos expressão divina da paixão pelo próximo.
Somos força infernal a doutrinar os incautos.
Somos rubro-negros sim, únicos, somos quase todos, porque se fossemos todos talvez não existiriam deuses... apenas um Rei.

Começou? Agora vá até o fim…

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sem-Freio

Não o conhecia além das superficialidades de encontros sociais. Um elo em comum nos fez conviver por algum tempo. Quanto? Não o bastante pra nos tornarmos amigos, mas o suficiente para ver nele um cara bom. No fim, o que de fato interessava era sua influência sobre esse elo, pelo qual com ele simpatizei logo. Temos essa propensão a querer bem aos que fazem bem aos nossos. Tranqüilo, era religioso, diziam. Mineiro, nada brusco, sem freio... Sem Freio foi o que me veio à mente diante de seus desempenhos nas poucas peladinhas da confraria das quais participara. Atabalhoado e acelerado, ficou “Sem-Freio”. Logo a ausência do tal freio lhe trouxe contusão no tornozelo, que nunca se curou. Não se curou primeiro porque o mané não tratou logo, mas principalmente porque mesmo que o intentasse, não poderia mais fazê-lo.
Não poderia, não poderá, não pode ou pudera. A conjugação é banal, porque seu verbo não tem mais tempo, pois é morto, morto foi com um tiro à queima roupa num dos bairros ricos do Balneário Decadente. Morto, baleado no pescoço na tentativa de roubo. Morte estúpida.
Mineiro, religioso, tranqüilo, com a timidez estratégica dos mineiros, o pé-atrás como manda o figurino do interior das Gerais. É o máximo que posso escrever sobre o Sem-Freio, mas e daí? Pra mim é indiferente, fazia feliz quem a mim importava nessa equação, relativa relevância, talvez.
Eu não o conhecia tão bem, e você, conhecia? Não! Então, foda-se! Virou estatística, notícia velha, arquivo morto, engrossa o caldo, menos um... Espasmo involuntário da retórica da cobrança pela impunidade, gritos por justiça, do discurso da perda do valor da vida pronto cuspido da boca de cada um que vela seu corpo. Lex Talionis? Fácil demais... Números cínicos. Sinceramente hipócritas somos todos, quase todos, menos tantos, mais eu, que se foda! Progressões, previsões, equações estatísticas frias, números, discursos, ingredientes da teimosa sopa vermelha fria e viscosa que insiste em escorrer do jornal matinal.
Giro alto na mente, comprimida pelo ar úmido e salgado, densidade insuportável no olhar de quem realmente perdeu algo, ou quase tudo. Meu discurso afiado pela análise dissecante, desconstrutiva, da origem da violência soa desrespeitosa à afiada emoção fúnebre, por isso se cala em eco na minha cabeça. A racionalidade, tão cara à minha existência, agora inútil e cabisbaixa, cede o ombro para amparar esse sentimento de pernas bambas e cabelos loiros.
Olho ao redor e a única coisa q consigo organizar na mente é a velha constatação de que uma dívida social está sendo cobrada e já não escolhe de quem coleta sua fração, nem os meios que utiliza. E a sociedade, que se permitiu ignorar por tanto tempo a divisão - não de mundos, mas de dimensões -, agora coleta seus corpos na quadra da praia. Escusas pelo crime não há qualquer; já explicações, são inúmeras, e quase todas guardam alguma verdade. Como clamar por justiça num mundo em que a justiça não é princípio, mas apenas adjetivo? Justiça, justiça social que esse país NUNCA viu.
Nos que vi chorar, não havia culpa pelo mundo em que vivem, nem há porque haver, ou há? Culpados, responsáveis ou não, essa questão é estéril, pois assim mesmo, foram chamados a sentir a dor diária daqueles que vivem na outra dimensão social; estão do lado, misturados, não piores nem melhores, mas não os vemos, não como deveríamos, e essa dívida vai continuar a ser cobrada, mais hora, menos hora, e alguém vai pagar, não importa quem seja o próximo, desde que não seja alguém próximo, certo?
Alea jacta est...

Começou? Agora vá até o fim…

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Retomada...

Não tem desculpa, na boa. Muitas idéias, muitas emputecências, discurso afiado, temas lidos, relidos, mas aí entalei em meia dúzia de temas e os textos incompletos foram me engessando, o que me fez deixar quieto até que a quietude virou rotina e o twitter me pareceu preguiçosamente mais prático, essa sim uma desculpa esfarrapada da porra!

Taí porque o Resistência está parado faz mais de 3 meses (... e contando). Mas não é por falta de assunto ou antenagem do puto aqui, pois a América Central tá pegando fogo, os EUA se ralando pra não cair do muro, no Senado a ofensiva ruralista avança contra o MST, Novo Plano de Defesa Nacional, Olimpíadas no Balneário Decadente, Confecom lutando contra seus algozes onipresentes, ou seja, tema é o que não falta e pode ter certeza que eu tenho opinião para cada uma delas!

Então é isso, fiz esse texto de esquenta pra tentar pegar no tranco e varrer a poeira da parada, mas as teias de aranha vou deixar, porque são algo tão foda que me permito na figuratividade do blog deixá-las intactas.

É isso.

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Nem tudo que cai na rede é lixo II

OS DONOS DA MÍDIA. Sítio porradão criado a partir do trabalho realizado pelo jornalista Daniel Hertz com base no livro Televisão e Capitalismo no Brasil, de Sérgio Capparelli (L&PM Editores, 1982), posteriormente aprofundado por Célia Stadnik, mapeando as concessões de TV e rádio, assim como principais revistas e jornais impressos do Brasil, servindo como instrumento essencial para se conhecer a geografia midiática do país e entender o peso da concentração do quarto poder nas mãos de restritos grupos políticos.
Chama atenção a discrepância de alcance da rede pública para as restritas quatro redes de TV nacionais. Você quer entender fenômenos chamados Collor, Sarney e outros tantos? É a caixa de pandora que espero (mesmo que não tão esperançoso assim) seja reprimida na Conferência Nacional de Comunicação que será realizada em dezembro próximo, em Brasília.
TEATRO DO OPRIMIDO. Em maio deste ano faleceu Augusto Boal, dramaturgo brasileiro que pautou sua vida pela criação de formas de democratização do teatro e diálogo direto com as camadas oprimidas da sociedade. Seu maior legado, O Teatro do Oprimido, surgido a partir de um projeto desenvolvido por ele nas escolas públicas fluminenses a convite do antropólogo e então secretário estadual de saúde do Governo Brizola, Darcy Ribeiro, continua vivo, ativo e, claro, sufocado pelo sucateamento financeiro. Dêem uma passada no sítio e conheçam história, propostas e projetos dessa companhia que possui difusores mundiais do método reconhecido como a metodologia teatral mais conhecida e praticada nos cinco continentes, mas que aqui, nem na morte do seu criador, ganhou notoriedade.
MEMÓRIA FOTOGRÁFICA. O Projeto Memória e Movimentos Sociais é uma iniciativa do CACES - Centro de Atividades Culturais, Econômicas e Sociais em parceria com UFF, UFRJ e UNIFEM (ONU) para reunião e disponibilização de acervo fotográfico de cunho etnográfico e jornalístico, transformando-o em importante fonte de pesquisa da história contemporânea dos movimentos sociais no Brasil e sua inserção em nível global. Como dizem que brasileiro tem memória curta e que não gosta de ler, então clica nessa parada, vê figurinha, e larga de ser ignorante, porra!
CAMPANHA PRA MACHO. A Campanha do Laço Branco - homens pelo fim da violência contra a mulher, surgiu no fim da década de 1980 em Montreal/Canadá depois que um sequelado matou 14 estudantes de engenharia a queima roupa e depois foi junto (ainda bem), por não admitir que elas cursassem engenharia (esse levou o armário junto pro céu). Aqui no Brasil a iniciativa tomou corpo em 2001 e ganhou força com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que tornou mais pesadas as penas contra agressores de mulher, ou covarde de merda, se preferirem. O lance da campanha é justamente os homens tomando postura de defesa dos direitos das mulheres e tem como símbolo uma fita de pulso branca (no estilo senhor do bonfim). O vacilo foi que eles estavam panfletando na V Feira de Agricultura Familiar e Reforma Agrária do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) que rolou aqui no Balneário Decadente ano passado, mas os manés não tinham a porra da fitinha pra distribuir... ¬¬ Pra quem vai fazer festinha, usar a fita de ingresso ficaria responsa. Pra dar uma moral, o rolo com 50 fitas de pulso custa 30 pratas pelo site.

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Usina Vermelha do Cabralzinho

Funciona desde 2004, na Ilha do Fundão (pra quem não conhece é perto do Galeão, vulgo, Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Tom Jobim) a Usina Verde, projeto de iniciativa privada com tecnologia desenvolvida em parceria com a UFRJ. A Usina Verde produz energia a partir da incineração de lixo urbano não-reutilizável e não-reciclável. A Usina processa 30 toneladas de lixo diárias vindas de aterro sanitário produzindo energia considerada limpa, pois detona inclusive os gases tóxicos gerados no processo só soltando na atmosfera vapor d’água e CO2. A usina transforma em energia 90% do lixo processado, e a previsão é do incremento tecnológico para triplicar a produção energética da usina.
A Usina Verde está em vias de iniciar um monitoramento pelo Bureau Veritas (Escritório Internacional de Certificação) durante seis meses para habilitar-se a receber créditos de carbono.
Pois bem, iniciativa privada com tecnologia desenvolvida por pesquisa de universidade pública nacional para geração de energia e já em vias de certificação para negociação de créditos de carbono. O que pareceria um projeto a ser disseminado por todo o país, com o investimento em pesquisa pública sendo transformado em símbolo nacional, na prática é simplesmente ignorado pelo Governo Fluminense.
O Governador Sérgio Cabral Filho - figura constante nas radiografias de cox do Presidente Lula, demonstra toda sua vontade política em impulsionar o desenvolvimento do estado unindo a criação de empregos, energia limpa, preservação ambiental, eliminação de lixo e, é claro, a criação de divisas pra esse Estado tão abastado e desenvolvido - acaba de zarpar para a China em busca de “parcerias” e investimentos.
Tá, pra China todo mundo vai atrás de investimento, mesmo porque se pegar a rota estadunidense só vai encontrar o pires na mão do Tio Sam; a questão é: que tipo de investimento ele foi buscar por lá?
O Governador com cara de ursinho carinhoso se mandou pro outro lado do mundo para participar, entre outras coisas, de reuniões com empresas geradoras de energia a partir do lixo para que elas implantem suas usinas aqui na freguesia do Balneário Decadente*. Não entendeu? É, mas a coisa fica ainda mais brilhante quando se verifica que o custo de implantação da usina com a tecnologia nacional é de 23 milhões de reais, enquanto estima-se que a importação de tecnologia gringa (a China fica na gringolândia também) chegue a 23 milhões de dólares. Merreca pra nós, fluminenses em franco desenvolvimento... Desenvolvimento de formas eficientes de nos tornarmos cada vez mais decadentes.
Ano que vem tem eleição e fechar famosas PPP’s para implantação de usinas gringas com os famosos incentivos fiscais é uma bela forma de ganhar uma publicidade voluntária nos jornais amigos (por aqui todos os que alguém lê) e ainda conseguir uns créditos pro caixa de campanha. Quem sabe até fazer a fita com o Lula de que seria de muita utilidade para as relações comercias e institucionais internacionais do “país” como, quem sabe, vice-presidente.
O fato é que o Governador fluminense vai voltar esfuziante e glorioso do papo com os chinas porque vai gastar em dólar o que, mesmo em época de crise, é bem mais chique do que gastar em real. Enquanto isso, a produção tecnológica vai pras picas... Mas quem quer saber de energia limpa, geração de empregos e desenvolvimento regional, tudo num projeto só, se o nosso Governador decretou a lei marcial informal pra pobre favelado, que no faz sentir seguros, mesmo desempregados, tropeçando em moradores de rua, respirando um ar de merda, produzindo crianças condenadas à doenças respiratórias pro resto da vida.
Se quiser saber mais sobre a Usina Verde, tá aqui o CAMINHO.
*Fonte: Revista Carta Capital, edição de 08 de julho de 2009 (ano XV nº 533)

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Nem tudo que cai na rede é lixo I

ENTREVISTAS DE LÁ. Estreou no último dia primeiro o Interview Project uma série de entrevistas realizadas pela equipe do cineasta estadunidense David Linch com os mais puros John e Jane Doe estadunidenses (similiar deles ao nosso Zé-ninguém). É tudo em gringolês, é tudo jão de lá, mas pra quem sabe um pouco de inglês, vale a pena conferir...
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ENTREVISTAS DE CÁ. Por falar em entrevistas, já rola faz tempo o quadro de entrevistas no programa Manos e Minas, da TV Cultura, chamado Interferência, apresentado pelo Ferréz. O cara recebe na laje nomes de mobilizadores, realizadores sociais e artistas, como Lourenço Muterelli, Chico César, DJ Hum, Arnaldo Antunes, Beto Brant, Tia Dag e outros vários. O papo é curto, mas é bom. As entrevistas estão todas aqui AQUI.
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ONE DAY WITHOUT A GOOGLE. O Google é indispensável? O CEO de lá diz que não, mandou a molecada desligar o computador e ir brincar na rua. Pra quem não consegue viver sem a ferramenta internética, este site desafia você a ficar um dia sem ele. A versão original é em inglês, mas é só jogar no Google q vocês acham versões em brasileiro... ops!
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MUSEU. Pra quem curte história do cinema nacional, vale um pulo no site do Museu do Instituto Mazzaropi. A parada é bem feita, com todas as informações sobre o ator, diretor e produtor da década de 1950, inclusive com trecho de entrevista concedida à Revista Veja em 1970.
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DITADURA. Mais um site responsa é o do Grupo de Estudos Sobre a Ditadura. Formado por toda sorte de níveis acadêmicos do departamento de História da UFRJ, o grupo desenvolve pesquisa sobre o período ditatorial liderado pelos militares de 1964 a 1985. Em princípio, com a gradativa abertura de arquivos daquele período, este site tende a ser uma bela referência pra quem procura informações sobre esse capítulo nefasto de nossa história recente.

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Tijolos de Curto Alcance II - Ou não tão curtos assim...

A OEA QUE SE FODA. Foram 47 anos desde a expulsão de Cuba da Organização dos Estados Americanos determinada pelos EUA. 47 anos em que ditaduras militares assassinas dominaram a américa latina, que massacres foram perpetrados contra povos originários, que o big stick estadunidense foi enfiado no fóli nosso de cada dia, mas que somente a ilha caribenha sofreu represálias estadunidenses.
Independente do que se possa alegar quanto ao regime cubano, ele é auto-definido por seu povo, produto de movimento popular de tomada de poder, possuindo eleições e democratização de serviços essenciais. O mundo se emocionou, comemorou até revogação da abjeta expulsão, mas encontrou na porta da ilha uma plaquinha com um belo e swingado FODA-SE!
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A PARTE QUE NÃO VIVE SEM O TODO. Eliminaram a exigência de diploma para exercício da função de jornalista, a despeito da discussão sobre sua exigência, alguém ousa defender a grade do curso de jornalismo ou de comunicação social em geral com fundamento científico. Que tal transformar a Comunicação Social em habilitação do curso Ciência Sociais? Talvez pensar o Jornalismo como um serviço à sociedade partindo da premissa de conhecê-la, e não com fim nele mesmo como mera atividade de mercado, seja inconcebível à mídia empresarial. Ou isso ou o curso vai ter a mesma credibilidade de uma faculdade de Turismo, por exemplo.
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PLANOS DE SAÚDE DESAMPARADOS. Em processos judiciais envolvendo menores de 18 anos, seja qual for a matéria, é exigência legal a participação do Ministério Publico com a atribuição específica de zelar pelos direitos do menor com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, vulgo, ECA. Eis que à uma hora da madrugada em medida de urgência para garantir a permanência de menor em hospital privado na UTI ameaçado de ser expulso às 4 horas da madrugada pelo plano de saúde (UNIMED, claro), quando instado a dar parecer sobre a proteção dos direitos do menor, o representante do Ministério Público do alto de sua soberba desfere: “O seu cliente tem todo o direito, doutor, mas falta a comprovação do pagamento do plano” e queria que fossemos buscá-los na casa do moleque, na Rocinha. Então o Ministério Público passou a ser fiscal de arrecadação de plano de saúde e moleque da UTI que se foda! Tranqüilo, o Juiz, muito bom por sinal, cagou 300mg pro distinto promotor e concedeu a liminar. Em tempo: o Juiz era negro, o promotor loiro de olhos claros... Lembrei do Lula na hora, fato!
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PEDRAS PORTUGUESAS! (II). Agora com menos maldade no coração. As calçadas do estacionamento do aeroporto internacional do Rio de Janeiro são revestidas de pedras portuguesas! Falar mais o que?

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Tijolos de Curto Alcance I

PEDRAS PORTUGUESAS! Na postagem Das Paradas que me Emputecem eu critico o estado deplorável da maior praça do Centro comercial aqui do Balneário Decadente, o Largo da Carioca. A praça, assim como todas as praças e calçadas revestidas de pedras portuguesas, está esburacada à vera fazendo o trânsito de idosos, cadeirantes e da mulherada de salto (e nem precisa ser alto) num rali de resistência. E mesmo remendada é só chover que o bagulho estraga de novo. A prefeitura resolveu reformar a praça – entre outras, mas advinha qual vai ser o revestimento?
As tais das pedras portuguesas, claro, que além de sua manutenção e elas próprias serem caras, mesmo em bom estado são um risco principalmente para os idosos (parcela cada vez maior da população carioca). Ou esses caras são uns jumentos, ou a idéia é criar uma nova modalidade de esportes radicais e manter à mão munição pra confrontos com a guarda municipal. Em 2006 chegaram a aprovar lei pra substituir essas pedras portuguesas em praças e calçadas, mas foi vetada pelo então prefeito César Maia, se liga na justificativa: “- Se se trata delas incomodarem as pessoas de terceira idade a solução não está em proibí-las, mas de pensar em alguns corredores com uma faixa diferente e/ou introduzir placas de pedras portuguesas como se faz em Lisboa.“ Sangue lusitano é uma merda!
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CQC. Após as cenas bizarras no programa dominical do SBT, protagonizadas pelo tio Abravanel com a menina Maisa, os apresentadores do Custe o Que Custar, humorístico da Bandeirantes, anunciaram que, DESSA VEZ, não avacalhariam com a menina, em respeito a ela e porque DESSA VEZ o apresentador paulista pegou pesado. Porra, me amarro no programa, mas depois de entitularem a moleca de tudo quanto foi nome tosco, agora posam de éticos. Sifudê!
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INGENUIDADE? O cineasta José Padilha - que produziu Estamira (2005) e dirigiu Ônibus 174 (2002) e Tropa de Elite (2007) – acaba de lançar Garapa documentário em que acompanha a luta diária 3 famílias cearenses miseráveis. Mesmo com esse currículo o cineasta, nas entrevista que deu recentemente para Caros Amigos e Carta Capital, insiste em dizer que não quer gerar polêmica. Não sei se é por ingenuidade ou a idéia é explorar temas e não comprar suas brigas. Não seria o mesmo que tacar merda no ventilador usando capa de chuva?
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PRA NÃO PERDER A VIAGEM... Não resta dúvidas que o desaparecimento do avião da Air France no início da semana anuncia uma tragédia, mas a Bandeirantes ter cancelado as edições noturnas de seus jornais locais na segunda feira foi um desrespeito aos telespectadores. Fico imaginando a cara de interrogação, pra não dizer de “foda-se”, do telespectador do Mato Grosso...

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terça-feira, 26 de maio de 2009

Porque não quero ser Juiz

Durante toda a minha vida acadêmica e até hoje sempre escutei perguntas sobre qual concurso público iria tentar. Promotor Público, Defensor Público, Auditor Fiscal, Juiz, só pra citar os mais desejosos, este último o preferido de 10 entre 10 mães de estudantes de direito. Com a minha não é diferente, até hoje me pergunta por que eu não quero ser juiz.
Algumas várias respostas são possíveis e sinceras para essa pergunta; desde o meio bitolado dos concursandos, até a bolha na qual se isolam os magistrados, alheios às realidades dos seus tutelados. Mas a primeira coisa que me veio à mente foi a minha confessa incapacidade de condenar um cidadão por furtar um shampoo ou sabonete. Explico.
Como eu, conhecedor do bizarro sistema prisional brasileiro, da precariedade das defensorias públicas e da morosidade do sistema judiciário seria capaz de condenar uma pessoal que comete um furto, a passar parte mínima que seja da sua vida encarcerada em condições subumanas?
A lei de execuções penais (que regula o cumprimento das penas) é uma das normas mais completas que nosso ordenamento jurídico possui, porém sua execução é digna de enforcamento aos seus executores. Progressões de pena, instituições diferenciadas para cada etapa de cumprimento de pena, programas de redução de pena pelo trabalho, destinação de remuneração pelo trabalho às famílias das vítimas, reinserção gradativa à sociedade, recuperação do preso ao convívio social, estes são pequenos exemplos do que determina a legislação nacional quanto ao tratamento do preso no país.
No entanto, a realidade do sistema prisional brasileiro somente se adjetiva por infernal. Todo e qualquer preso pobre é despachado para presídios superlotados onde dezenas ocupam celas projetadas para meia dúzia. Locais imundos, fétidos, tráfico interno de drogas, sodomização, violência, extorsão, assassinatos, Aids, tuberculose, DSTs, doenças mentais, são ingredientes que transformam estes presídios em criadouro de animais.
Com que consciência eu daria uma canetada contra um rapaz que furtou ou mesmo roubou um tênis e mandá-lo para um presídio onde ele, se já não é, se tornará dependente de crack, será sodomizado, infectado por vírus letais e ainda cometerá, por conta de sobrevivência, do vício ou de sua própria, crimes jamais imagináveis por ele quando antes de seu encarceramento? O que dizer de um sistema prisional que hoje possui mais da metade de seus presos ainda aguardando julgamento?
Esta superlotação dos presídios por presos provisórios ou de mínima periculosidade não revela somente a ignorância e a venalidade dos administradores, mas também a desigualdade de tratamento recebida pelos cidadãos junto ao Poder Judiciário. Pessoas condenadas a penas de 1, 2, 3 anos de prisão, presas provisoriamente somente têm seus processos, recursos ou pedido de habeas corpus apreciados já tendo cumprido toda sua pena, ou quase. Saem da carceragem viciados, violentados, cegos, doentes, estigmatizados e marcados para vida toda por essa experiência que eu não desejo a quase ninguém.
Enquanto isso, sonegadores e assassinos abastados têm seus recursos e habeas corpus julgados em velocidade espantosa ou arrastados por lentidões surreais conforme seus interesses. Donos de jornal, banqueiros, políticos, empresários, publicitários, uma sorte inesgotável de cidadãos de elevada estima, e seus filhos, claro, que, munidos de seus afortunados advogados de estirpe e relações promíscuas com o poder judiciário, são protegidos pela segregação jurídica-judicial que pune com a raiva secular os pobres e tolera seus “iguais” com nobreza cortesã.
Não se trata aqui de mera compaixão, e sim de ideologia. Muitos interpretam esse tipo de argumento como uma justificativa para os crimes praticados, o que não é. Trata-se apenas de esclarecer que não se trata de jogar um ladrão na cadeia, e sim de impelir pena desproporcional à lesão causada. Conhecer a origem e o destino desse acusado é a única forma de entender a estrutura social que o produziu. Há que se desconstruir o discurso cada vez mais reproduzido em nossa sociedade que considera invariavelmente como incorrigíveis, irrecuperáveis todos que praticam crimes, desde que não sejam parentes ou conhecidos nossos, e que sejam socialmente menos favorecidos que nós.
Por isso não posso ser juiz; por isso não desejo ser juiz. Carreira nobre, de exceções brilhantes, mas de um engessamento moral-ideológico brutal. Pode parecer um tanto incoerente vindo de um advogado, mas meu tesão profissional repousa na ajuda ao próximo e não no brinquedo divino. Conhecer a realidade da nossa sociedade me desabilita a tamanha tarefa. Saber a origem e o meio que trouxe aquela pessoa ao banco dos réus e ter a certeza que enquanto não for dado o mínimo de condições para que se desenvolva como cidadão, e não como pária, não será possível que haja julgamento justo. E mesmo assim, ainda que se dê de forma justa, o julgamento será meramente uma ordem de descarte da carcaça humana que será mastigada, digerida e eventualmente expelida pelo sistema prisional como um animal que à sociedade devolverá em dobro a crueldade do inferno para o qual foi condenado. Sugestão de leitura: Estação Carandiru – Livro escrito pelo oncologista Dráuzio Varella sobre sua experiência como médico voluntário na Casa de Detenção de São Paulo. Diário de um detento – Livro escrito pelo ex-presidiário Jocenir sobre sua trajetória no sistema penitenciário de São Paulo, que culmina na Casa de Detenção, vugo Carandiru. Jocenir assina também a autoria da letra do rap homônimo gravado pelos Racionais MC’s.

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Arquivo Morto

Abril e maio são meses que guardam eventos trágicos causados pela mão pública e que restaram sem punição ou mesmo repercussão sobre os responsáveis. Dois eventos que aparentemente não guardam qualquer parecença, mas que revelam como funciona a defesa de interesses da força política brasileira e o grau de marginalização imposto a qualquer cidadão que atravesse seu caminho. São eles: o massacre de Eldorado de Carajás, no Sul do Pará, ocorrido em 17de abril de 1996, e o que ficou conhecido como Maio Sangrento, ocorrido em 2006, na Grande São Paulo.
O primeiro aconteceu em 17 de abril de 1996, quando 19 trabalhadores rurais, homens e mulheres, que faziam parte de manifestação contra a morosidade do processo de desapropriação da fazenda ocupada na região, foram assassinados pelas tropas da PM paraense, sem identificação na farda, que avançaram contra centenas de manifestantes desarmados sob as ordens da cúpula do governo estadual (PSDB) de “usar a força necessária, inclusive atirar”. A perícia realizada nos cadáveres dos manifestantes apurou que dez deles haviam sido executados. Após 13 anos, dos 155 policiais militares envolvidos, apenas dois foram condenados e ainda esperam julgamento de recurso em liberdade. Dos manda-chuvas, apenas os dois comandantes responsáveis pela operação foram condenados, mas também aguardam julgamento em liberdade de recursos emperrados no STF.
Dez anos depois, a Polícia Militar - agora a paulista - empreendeu sangrenta chacina contra 483 moradores da periferia da Grande São Paulo, no período de 12 a 21 de maio, em retaliação à morte de 44 membros da corporação (PM’s e agentes penitenciários) através de ação do Primeiro Comando da Capital – PCC, facção criminosa que opera a partir dos presídios do estado. Apesar da ocultação por parte dos órgãos oficiais da secretaria de segurança pública de São Paulo, graças ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) foi possível apurar o número realista das mortes praticadas pela polícia militar: mais que o triplo do divulgado pela secretaria. Foram 483 mortos, destes, 6% não possuíam antecedentes criminais; em média 60% dos mortos receberam pelo menos um tiro na cabeça; 27% ao menos um disparo na nuca e 57% ao menos um nas costas. Não existe notícia de autoridades indiciadas pela operação policial e diante do desinteresse institucional, os poucos inquéritos conclusivos arrastam-se na justiça dando como certo seu arquivamento.
Em comum, essas tragédias guardam, além da impunidade - tanto dos agentes diretos dos massacres, como também dos agentes indiretos -, o uso autoritário e repressivo da Polícia Militar, instituição falida e corrupta que vem sendo utilizada há décadas como reduto de conduta repressoras emergente dos porões ditatoriais. Porões porra nenhuma, dos gabinetes meRmo!
O Governador do Pará em 1996 era Almir Gabriel (PSDB), se reelegendo até 2003, e o Governador paulista era Geraldo Alkimin (PSDB) em 2006, tendo como sucessor José Serra (PSDB), quando se lançou em patética campanha presidencial. Os casos foram enterrados no Pará e os de São Paulo também estão sendo. Em função disso, organismos e tribunais internacionais condenaram o Brasil pela sua atuação na defesa dos direitos humanos, o que não parece comover a opinião pública da mídia.
Não digam que a população não se move. Exemplos existem em profusão, o que não se questiona é porque não tomamos conhecimento disso? Na mídia escutamos noticias de ONGs que fazem “escolinhas artes e ofícios” (sem desmerecê-las), mas instituições que lutam por mudança estrutural são censuradas ou apresentadas com desdém e ironia, por quê? Estatísticas, impunidades, incompetências, irresponsabilidades, corrupção, pistolagem, massacres, termos que se repetem e repetem até se banalizarem. Direitos humanos conquistados com sangue são objeto de deboche até que o próximo seja alguém próximo.
Instituições como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, a Via Campesina, Sociedade Paraense de Direitos Humanos, Cremesp, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – Condepe, Ministérios Públicos, Defensorias Públicas, ou parte deles, Conectas Direitos Humanos, entre outras tantas continuam lutando para não se deixar esquecer os massacres e chacinas que se acumulam na história recente nacional combatendo o regime político-econômico em que vivemos - Democracia perversa, República de barões, Federação militarizada, Justiça putrefata! - que coloca o povo fardado contra o povo sem farda, sob a batuta dos Senhores da Guerra.
É maio, e ao invés de homenageadas por seus filhos, vemos Mães vestindo camisetas estampando fotos de seus filhos assassinados pela mão criminosa estatal. Frases de efeitos. Esta postagem não é mera indignação, é um apoio às vozes que lutam contra esse abandono social.

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